A partir de 1º de julho, as primeiras mudanças práticas da reforma tributária começam a afetar diretamente as pequenas e médias empresas brasileiras. A transição para o modelo de IVA dual — com a criação da CBS federal e do IBS estadual e municipal — representa a maior mudança no sistema tributário do país em décadas, e muitos empresários ainda não sabem exatamente o que esperar.
A Gazeta do Amanhã conversou com contadores, advogados tributaristas e donos de pequenos negócios para mapear as principais dúvidas e o que realmente muda no dia a dia das empresas.
O que entra em vigor em julho
Na prática, julho marca o início do período de testes do sistema, com alíquotas simbólicas de 0,1% para CBS e IBS. As empresas precisarão emitir notas fiscais com os novos campos, adaptar seus sistemas de gestão e começar a se familiarizar com as novas obrigações acessórias.
"É uma fase de aprendizado. Não haverá impacto financeiro significativo agora, mas quem deixar para se adaptar na última hora vai ter problemas lá na frente", alerta o contador Paulo Mendonça, que atende mais de 80 pequenas empresas em São Paulo.
Simples Nacional: o que muda
Empresas enquadradas no Simples Nacional têm um regime de transição diferenciado, mas ainda há incertezas sobre alguns aspectos da implementação. A principal dúvida é sobre o aproveitamento de créditos tributários — um dos pontos mais complexos da reforma.
O governo federal prometeu publicar ainda este mês um guia específico para empresas do Simples, com exemplos práticos e um simulador online. Entidades representativas do setor, como o Sebrae, também estão preparando materiais de orientação.
A visão dos empresários
Entre os donos de pequenos negócios, a reação é mista. Muitos reconhecem que o sistema atual é caótico e que a simplificação é necessária, mas temem o período de transição. "Já pago contador, advogado, sistema de gestão. Agora vou ter que investir mais em adaptação. Para uma empresa pequena, isso pesa", diz Carla Ferreira, dona de uma loja de artesanato no interior de Minas Gerais.
A reforma tributária foi aprovada em 2023 e tem previsão de implementação completa até 2033. O caminho ainda é longo, mas julho representa o primeiro passo concreto de uma mudança que promete — ao menos na teoria — tornar o Brasil um país mais fácil de fazer negócios.